Juntos pela Vida -- Vida Norte --
Plataforma Solidariedade e Vida
Conferência de Imprensa
7 de Outubro de 1999
Sobre as Eleições
Legislativas de 10 de Outubro de 1999
- A posição que cada Partido
assume relativamente ao direito à Vida de todo o ser humano desde a sua concepção até
à morte natural é factor decisivo para a definição da orientação de voto. Não é
possível votar num partido que defende políticas que não respeitam este princípio
básico da vivência em sociedade.
- Por esse motivo os Grupos de Cidadãos que defenderam o Não por
ocasião do referendo sobre a liberalização do aborto sentiram a responsabilidade de
informar os cidadãos, e em especial aqueles que votaram Não no referendo, uma vez que da
parte dos partidos não houve esses esclarecimento.
Recolha de Informação passos dados
- Na sequência da Campanha de informação e esclarecimento de Junho
de 1998 os Grupos de Cidadãos que defenderam o Não analisaram os programas eleitorais
dos principais partidos de molde a informar os portugueses sobre os propostas e medidas
neles previstas.
- Uma vez que os programas eleitorais não identificaram de forma clara
a sua posição sobre a liberalização do aborto - matéria objecto de duas votações na
AR e que originou o primeiro referendo em Portugal solicitaram-se audiências aos
principais partidos políticos.
- Contactaram-se o PS, o PSD e o PP. Não foi auscultado o PCP uma vez
que o seu programa é explícito quanto à vontade de reagendar o tema nos mesmos moldes
em que ele foi rejeitado no referendo de 1998.
- Relativamente ao PSD e ao PP recebemos indicação clara das suas
Direcções em como estes partidos irão opôr-se ao agendamento de qualquer iniciativa
que proponha a liberalização do aborto e, bem assim, irão votar negativamente qualquer
projecto lei que vise esse objectivo.
- Lamentavelmente o PS recusou receber-nos. O seu programa é omisso e
as afirmações do seu líder pouco claras. Contudo a maioria dos seus deputados deverá
votar como em 1997 e 1998, ou seja, deverá aprovar qualquer iniciativa que vise a
liberalização do aborto.
- Tendo em conta que o PS é o mais que provável vencedor das
eleições do próximo dia 10 e que, por esse facto, tem acrescidas responsabilidades de
informação e transparência das suas intenções, apelamos ao PS e ao seu Secretário
Geral que clarifique publicamente a posição do seu Partido (e não a sua posição
pessoal) sobre esta matéria para que o povo português não "compre gato por
lebre". E, recorde-se, o programa eleitoral do PS em 1995 afirmava que não iria
alterar a Lei de 84.
Informar para esclarecer a
publicidade
- Após termos recolhido a informação veiculada por cada Partido
propusemo-nos publicitá-la. Uma vez que não dispomos de meios próprios para o fazer
reservámos um espaço em três jornais nacionais de grande divulgação (Correio da
Manhã, Diário de Notícias e Jornal de Notícias) para ontem, 4ª feira dia 6 de
Outubro, e entregámos atempadamente as maquetes.
- Surpreendentemente os jornais recusaram a sua publicação.
- Da parte do DN e do JN foi transmitido à Central de Meios que o
anúncio continha "um apelo indirecto ao voto" e como tal impedido pela Lei.
Até ao momento não comunicaram por escrito essa sua posição apesar do insistente
pedido.
- A Direcção do CM comunicou-nos hoje, que por o anúncio levantar
dúvidas tinham pedido um parecer jurídico que não chegou em tempo útil. O parecer
terá concluído pelo não impedimento da publicação do anúncio, pelo que é
previsível que este venha a ser publicado no CM de amanhã 6ª feira.
- Face a este comportamento dos jornais solicitámos o parecer urgente
à CNE, que até ao momento não surjiu.
Conclusões
- Lamentamos que no ordenamento jurídico português não existam
actualmente mecanismos que favoreçam (ou não dificultem) a intervenção de cidadãos no
debate político. Sabemos que os Grupos de Cidadãos enriquecem o debate político e podem
obrigar os partidos políticos a se comprometerem de facto com o que dizem durante
a campanha eleitoral.
- Protestamos com o facto precisarmos de consultar programas, pedir
audiências, solicitar esclarecimentos para perceber qual a posição que cada partido
irá adoptar relativamente a uma questão que foi alvo de amplo debate político e
público em mais de metade da anterior legislatura. Protestamos ainda pelo facto de não
termos conseguimos uma resposta por parte do actual maior partido.
- Informamos que:
- O PSD e o PP não irão agendar nem votar qualquer projecto que vise
a liberalização do aborto;
- O PCP irá agendar de novo a lei
- O PS não deverá agendar mas deverá viabilizar uma lei que vise a
liberalização do aborto.
17. Desde já afirmamos que nos propomos colaborar com a nova
Assembleia da República e com o Governo dela resultante em políticas que promovam
activamente a defesa da Vida Humana, das crianças, mulheres e famílias portuguesas