Carta sobre o artigo "Protocolo Sexual"
Juntos pela vida e MDV
Exmo. Senhor
Carlos Cáceres Monteiro
Director
da Visão
Lisboa,
6 de Março de 2002
Exmo. Senhor
Numa das vossas últimas edições num
artigo intitulado "Protocolo Sexual" é noticiada a assinatura de um
protocolo entre o Ministério da Educação e o Movimento de Defesa da Vida
(MDV), permitindo a esta associação a promoção de acções de educação
sexual nas escolas do ensino básico e secundário.
Desde já felicito a Visão por ter
trazido para as suas páginas esta questão que muitas vezes passa ao lado dos
pais e educadores mas que deveria ser levada de forma séria e ponderada.
Nesse artigo a Associação a que eu
pertenço Juntos Pela Vida vem referida como uma plataforma criada em 1998
agrupando várias outras associações entre as quais o MDV. Refere-se ainda a
data de 1998 com data da constituição desta plataforma.
Sobre o artigo gostaria de fazer uma
pequena correcção e um comentário:
A correcção:
A Associação
Juntos Pela Vida existe desde finais de 1996, tendo como objectivo imediato
contrariar a intenção de aprovação de projectos de Lei da autoria do PS e do
PCP que pretendiam a liberalização do aborto em Portugal.
O MDV foi
constituído no início dos ano 80, tendo desde então desenvolvido trabalho na
area da formação e educação para o planeamento familiar e sexualidade.
Aquando do Referendo a Associação
Juntos Pela Vida protagonizou de forma mais notória e mediática a campanha do
"Não" tendo de facto sido apoiado por inúmeras outras associações
com trabalho quotidiano a favor da mulher e das famílias, entre as quais o MDV.
Ou seja,
o MDV não deve ser considerado como uma organização dos Juntos pela Vida.
Mais correctamente poder-se-ia dizer que do trabalho do MDV no campo da formação
surgiram diversas outras obras e iniciativas, nomeadamente aquelas que viriam a
assumir protagonismo aquando do referendo. Não era em vão que dizíamos que
sabíamos por experiência que as mulheres não querem o aborto mas sim ajuda.
Percebo
que o erro possa surgir pela leitura rápida do nosso site
(go.to/juntospelavida) e pelo facto de estas associações não serem mediáticas
nem o seu trabalho puxado para as primeiras páginas.
O comentário:
A Associação
Juntos pela Vida que vinha pedindo publicamente mudanças significativas à
forma como a educação sexual estava a ser trabalhada, não pode deixar de
saudar este passo que o Governo acaba de dar.
De facto,
era incompreensível que, numa sociedade dita moderna e tolerante, uma associação
(APF) pudesse ter dado o exclusivo de uma área de formação tão sensível, não
permitindo aos Pais e escolas alternativa na escolha de um projecto educativo
dentro das linhas de orientação definidas pelo Ministério da Educação.
Relevante
é também o facto de a APF ser filial de uma multinacional (IPPF) que detém a
maior rede mundial de clínicas privadas de aborto e o seu presidente (Duarte
Vilar) ter escrito, em 1999, que apesar do resultado do referendo, a APF
continuaria a liderar a rede de pressão com vista à legalização do aborto.
Acresce a falta de competência técnica da APF da qual prova evidente são as
lamentáveis estatísticas em que Portugal continua a ocupar lugares cimeiros:
gravidezes de adolescentes, crescimento do número de doentes com sida; quebra
da taxa de natalidade, aumento da divorcialidade.
Não
parece correcto o monopólio e menos ainda dar o monopólio a quem tem opinião
oposta à da maioria expressa dos portugueses.
Apesar de
significativo este passo não suficiente.
O Governo
tem de aprofundar o caminho agora iniciado garantindo que outras entidades
possam solicitar para si este protocolo, aumentando a oferta credenciada (desde
que cumprindo os requisitos considerados necessários pelo Governo) e, mais
importante, promova mecanismos de avaliação para as entidades protocoladas
(introduzindo critérios para renovação ou resolução).
Caso
contrário tudo parecerá opções ideológico-políticas sempre susceptíveis
de ser alteradas em função da vontade deste ou daquele governante, o que neste
específico tema é manifestamente inadequado e tem resultados dramáticos e
directos em nós e nos nossos filhos, como os já antes referidos.
Concluo felicitando uma vez mais a
Visão pelo facto de dar espaço a este tema que tem de interessar a todos (por
entre guerras reais e virtuais e "casos" políticos, também, reais e
virtuais) e desde já nos colocamos à vossa disposição para colaborar
convosco sempre que o entendam.
Com os melhores cumprimentos,
Pedro
Líbano Monteiro
Juntos pela Vida